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sexta-feira, 29 de março de 2013

Se és....


Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa; 
De crer em ti quando estão todos duvidando, 
E para esses, no entanto achar uma desculpa; 
Se és capaz de esperar sem te desesperares, 
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso, 
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares, 
E não parecer bom demais, nem pretensioso; 

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires, 
De sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores. 
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores; 
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes

E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, 
Se a todos podes ser de alguma utilidade, 
E se és capaz de dar, segundo por segundo, 
Ao minuto fatal todo o valor e brilho, 
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais - tu serás um homem, ó meu filho!

[Rudyard Kipling]

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