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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

ELEGIA

A alegria da vida, essa alegria d'oiro 
A pouco e pouco em mim vai-se extinguindo, vai... 
          Melros alegres de bico loiro, 
          Ó melros negros, cantai, cantai! 

Ando lívido, arrasto o pobre corpo exangue, 

Que era feito da luz das claras madrugadas... 
          Rosas vermelhas da cor do sangue, 
          Rosas abri-vos às gargalhadas! 

Limpidez virginal, graça d'Anacreonte, 

Mimo, frescura, força, onde é que estais?... não sei!... 
          Ó águas vivas, águas do monte, 
          Ó águas puras, correi, correi! 

Eu sinto-me prostrado em lânguido desmaio, 

E a minha fronte verga exausta para o chão... 
          Cedros altivos, sem medo ao raio, 
          Cedros erguei-vos pela amplidão! 

[Guerra Junqueiro]


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