Era um hábito antigo que ele tinha:
entrar dando com a porta nos batentes:
— "Que te fez esta porta?" — a mulher vinha
e interrogava. Ele, cerrando os dentes:
— "Nada! Traze o jantar!" Mas à noitinha
calmava-se. Feliz, os inocentes
olhos revê da filha, e a cabecinha
lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.
Uma vez, ao tornar à casa, quando
erguia a aldraba, o coração lhe fala:
— "Entra mais devagar..." Pára, hesitando...
Nisso, nos gonzos range a velha porta;
ri-se, escancara-se. E ele vê na sala
a mulher como doida e a filha morta!
[ALBERTO DE OLIVEIRA]
entrar dando com a porta nos batentes:
— "Que te fez esta porta?" — a mulher vinha
e interrogava. Ele, cerrando os dentes:
— "Nada! Traze o jantar!" Mas à noitinha
calmava-se. Feliz, os inocentes
olhos revê da filha, e a cabecinha
lhe afaga, a rir, com as rudes mãos trementes.
Uma vez, ao tornar à casa, quando
erguia a aldraba, o coração lhe fala:
— "Entra mais devagar..." Pára, hesitando...
Nisso, nos gonzos range a velha porta;
ri-se, escancara-se. E ele vê na sala
a mulher como doida e a filha morta!
[ALBERTO DE OLIVEIRA]
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