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quarta-feira, 27 de abril de 2022

DUAS ALMAS

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,

entra, e sob este teto encontrarás carinho:

eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,

vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

 

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,

e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.

Entra, ao menos até que as curvas do caminho

se banhem no esplendor nascente da alvorada.

 

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,

essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,

podes partir de novo, ó nômade formosa!

 

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:

há de ficar comigo uma saudade tua,

hás de levar contigo uma saudade minha...


[ALCEU WAMOSY]


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