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segunda-feira, 16 de maio de 2022

A CEGONHA

 Em solitária, plácida cegonha.  

imersa num cismar ignoto e vago,  

num fim de ocaso, à beira azul de um lago,  

sem tristeza, quem há que os olhos ponha?  

  

Vendo-a, Senhora, vossa mente sonha.  

Talvez que o conde de um palácio mago  

loura fada perversa, em tredo afago,  

mudou nessa pernalta erma e tristonha.  

  

Mas eu que, em prol da Luz, do pétreo e denso  

véu do Ser ou Não-Ser, tento a escalada,  

qual morosa, tenaz, paciente lesma,  

  

ao vê-la assim, mirar-se na água, penso  

ver a Dúvida humana debruçada  

sobre a angústia infinita de si mesma


[ANÍBAL TEÓFILO]

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