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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A BINGANÇA DA PORTA

Era um custume vesta que ele tinha
intrar vatendo a porta: — "Antão Manéle!
lhe dizia a mulhére, que papéle!
não me faças romôre! Olha a bizinha!"

E todo dia era essa ladainha!
Sujaito deshumano, pai cruéle,
dizia-lhe: — Si tains amôre à pele
daixa-me sussigado, ó mulherzinha!"

Uma noite em que bâiu desse jaito,
a pinitrar cum falta de ruspaito
na casa em que amvos eles dois residem,

avrindo a porta a punta-pés, zangado,
biu pulo chão, uma de cada lado,
a mulhére inguiçada e a filha idem!

Furnandes Albaralhão

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