Janer podia causar bem mais estrago com uma coluna do que com um martelo.
O Janer começou a escrever no site ainda na primeira encarnação do Baguete, quando éramos um portal de clipagens, lá em 1999.
Desde que eu assumi a editoria do Baguete, em 2006, vi o Janer criar centenas de polêmicas com a esquerda, seu alvo favorito (um dos seus orgulhos era ter criado a definição “Supremo Apedeuta” para se referir a Luis Inácio Lula da Silva. Outro era ter participado da demolição do Muro de Berlim).
Mas o Janer não parava por aí. Também implicava, da maneira mais agressiva e informada possível com religiões de todo tipo (motivo pelo qual ele criticava parte da direita também), o movimento gay, o tradicionalismo gaúcho, a academia, a imprensa, os psicanalistas, os terapeutas equínos e, até, a categoria profissional dos ornitólogos, e mais de uma vez.
Perdi as contas de quantas vezes me disseram que nós precisávamos tirar o Janer do site, dizendo que o estilo incisivo, às vezes deliberadamente agressivo dele “queimava nosso filme” ou “não tinha nada que ver com tecnologia” ou “ia acabar fazendo com que nós fossemos processados”.
A maioria das pessoas que me dizia isso o fazia depois de ler alguma coluna especialmente polêmica do Janer. Poucos queriam argumentar com ele, que sempre respondeu com educação (ou, pelo menos, com a educação merecida) a todos os comentários na sua coluna e nunca me pediu para censurar nenhum, mesmo os mais agressivos.
Eu nunca tive coragem de fazer a coisa mais cautelosa e dizer para o Janer que ele não podia escrever mais para nós, apesar de não concordar com boa parte do que o Janer dizia (a única pessoa que poderia concordar com tudo que o Janer dizia provavelmente era o próprio Janer).
Apesar de tudo, o estilo ácido, a imensa erudição e as inúmeras polêmicas dele contribuíram para fazer do Baguete o portal meio imprevisível e diferente dos demais que nós gostamos que ele seja.
Descansa em paz Janer.
Maurício Renner
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